A biblioteca mais antiga: Nínive

Biblioteca de Nínive

A Biblioteca de Nínive, também conhecida como Biblioteca de Assurbanípal, foi formada por uma coleção de milhares de placas em argila, a partir do 7º século a. C., contendo textos em escrita cuneiforme sobre vários assuntos. Dentro desse acervo estava a famosa Epopeia de Gilgamesh e fragmentos do Enuma Elish. A Biblioteca de Nínive pode ser considerada a mais antiga da história. Ela foi fundada pelo rei assírio Assurbanípal II (século VII a. C.). E foi encontrada no século XIX por arqueólogos ingleses.

Onde estava localizada

A Biblioteca de Nínive localizava-se no palácio de Assurbanípal, em Nínive. Esta cidade situava-se na margem ocidental do rio Tigre. Nínive foi a capital do Império Assírio, onde situa-se o atual Iraque. O palácio era a residência oficial do monarca da Assíria.

Acervo

O acervo da Biblioteca de Nínive era formado por uma coleção de placas de argila, contendo textos em escrita cuneiforme. Alguns destes foram escritos em duas línguas: o sumério e o acádio. Tais escritos versavam sobre os assuntos que eram as fontes de preocupação e de estudo na época. Eram textos de geografia, matemática, astrologia, medicina, religião e leis. Havia também manuais de exorcismo e de presságio. Alguns traziam relatos de aventuras.

Devido à manipulação descuidada do material original, muito do acervo da biblioteca encontra-se descontextualizado. Isso dificulta o discernimento e a reconstrução de muitos dos textos originais. Embora algumas placas tenham sobrevivido intactas.

De acordo com os dados do Museu Britânico, constam 30.943 “placas” em toda a coleção da Biblioteca de Nínive. Os curadores do Museu vêm elaborando um catálogo atualizado como parte do Projeto Biblioteca de Assurbanípal.

De acordo com os especialistas, se os fragmentos menores, que pertencem a um mesmo texto, fossem reunidos e traduzidos, resultariam em mais ou menos 10 mil textos. Os documentos da biblioteca original incluíam, também, placas de cera e, possivelmente, papiros e rolos de couro. Continham uma variedade muito mais ampla de informações que o avaliado a partir das placas cuneiformes de argila sobreviventes.

A importância da leitura e da escrita

Acredita-se, de acordo com os achados arqueológicos, que os mesopotâmicos tinham grande apreço pela escrita. Na época, haviam várias escolas para formar escribas, as chamadas edubas. Eles eram funcionários do governo. Os únicos que sabiam ler e escrever. Por isso, possuíam grande status social. Entre os babilônicos dizia-se que “A escrita é a mãe da eloquência e o pai dos artistas”.

A mais famosa obra literária da Mesopotâmia foi a Epopeia de Gilgamesh. Gilgamesh era uma figura semilendária. Teria sido o rei da cidade-estado de Uruk, por volta de 2700 a. C. O que se conhece a seu respeito deve-se ao texto literário escrito em torno de seu nome. A epopeia foi encontrada em doze plaquetas de argila, que constam do acervo da Biblioteca de Nínive. Trata-se de uma obra-prima da antiga poesia da Babilônia. Relata a criação de Enûma Eliš, assim como o mito de Adapa, o primeiro homem.

Da formação à destruição

Assurbanípal tinha grande interesse pela literatura. Era um rei erudito. Quando subiu ao trono, após a consolidação de seu reino, passou a se preocupar com a cultura. Enviou escribas a Assur, Babilônia, Cuta, Nipur, Acade, Ereque e a outros centros urbanos, com a tarefa de copiar e reunir livros de argila sobre todos os assuntos então correntes. Tais livros foram trazidos ao seu palácio em Nínive. Lá, foram estudados, copiados e arquivados, em formato bilíngue e na escrita cuneiforme. Assurbanípal era conhecido por ser um rei estudioso. Mas também era cruel com seus inimigos. Foi capaz de usar ameaças para obter materiais literários para a Babilônia.

Antigas tradições persas e armênias indicaram que Alexandre, o Grande, ao conhecer a grande biblioteca do Assurbanípal, em Nínive, inspirou-se para criar sua própria biblioteca. Alexandre morreu antes de criá-la, mas seu sucessor, Ptolomeu I, deu início à formação daquela que viria a ser a grande Biblioteca de Alexandria.

Nínive foi conquistada em 612 a. C., por uma coligação de babilônios, citas e medos. Acredita-se, que o incêndio do palácio deve ter devastado a biblioteca. Os tabletes de argila em escrita cuneiforme foram parcialmente cozidos pelo calor. Paradoxalmente, este fato, potencialmente destrutivo, ajudou a preservar as placas. Mas, assim como os textos escritos em argila, alguns podem ter sido inscritos em placas de cera, em papiros e peles de animais. E, assim, devido ao fogo e a sua natureza biológica, foram destruídos.

Quem descobriu a Biblioteca de Nínive

Sir Austen Henry Layard (1817-1894), arqueólogo britânico, é considerado o descobridor da Biblioteca de Nínive. Esse fato ocorreu por volta de 1849, quando iniciou uma expedição para investigar as ruínas da Babilônia. Seu registro da expedição, Discoveries in the Ruins of Nineveh and Babylon, que foi completado com outro volume, chamado A Second Series of the Monuments of Nineveh, foi publicado em 1853. Layard despachou para a Inglaterra objetos esplêndidos. Muitas vezes, em situações de grande dificuldade. Estes, agora, formam a maior parte da coleção de antiguidades assírias no Museu Britânico. Seu trabalho, de grande valor arqueológico, identificou a localidade de Kuyunjik como o sítio original de Nínive. Forneceu também uma grande quantidade de materiais para o trabalho dos estudiosos. Os dois livros de Layard estão entre os melhores livros de viagem escritos na língua inglesa. Austen Layard calculou que o circuito total da área da Nínive, rodeada de muralhas, era de 11 quilômetros. Descobriu um pequeno monte, ao norte, que media 26 metros de altura, e cobria uma extensão de 40 hectares. Era chamado Kuyunjik, o castelo de Nínive.

Assim, foi desenterrado o palácio real de Senaqueribe (705-681 a. C.). Em 1851, durante a escavação de uma parte do templo de Nebo, ao lado do palácio de Senaqueribe, foi encontrada uma parte da biblioteca real. Nebo era o escriba divino que havia criado a arte e todos os mistérios relacionados à literatura e à escrita.

Em 1853, o estudioso assírio Hormuzd Rassam (1826-1910), colaborador de Layard, continuou as escavações de Nínive e descobriu o restante da Biblioteca. Entre suas descobertas, estavam as tábuas em argila com a Epopeia de Gilgamesh, parte do acervo da Biblioteca de Assurbanípal.

Fonte

Wikipédia < https://pt.wikipedia.org/wiki/Biblioteca_de_Níneve> Acesso em 27 maio 19. Adaptado.

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